Blog da 1ª Congregação Reformada em Prazeres, destinado a postagens de sermões pregados na congregação e mensagens baseadas fielmente as sagradas escrituras. Focando o objetivo de que a igreja de Cristo sempre esteja bem alimentada pela genuína pregação do evangelho de Jesus Cristo. "Sola Scriptura, Sola Christus, Sola Gratia, Sola Fide, Soli Deo Gloria"
segunda-feira, 22 de julho de 2013
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domingo, 14 de julho de 2013
sábado, 13 de julho de 2013
sexta-feira, 12 de julho de 2013
quinta-feira, 11 de julho de 2013
quarta-feira, 10 de julho de 2013
domingo, 7 de julho de 2013
O Culto e a transição do sábado para o domingo.
Dia do Senhor: Sábado ou Domingo?
Neste contexto qual deveria ser o Dia de Adoração a Deus? O Sábado conforme fora transmitido por Moisés e os Profetas, ou o Domingo, dia da Ressurreição?
A Instituição do Dia de Adoração
Todos sabem que no AT, o Senhor instituiu o Sábado como o Seu dia de adoração. Mas resta a pergunta: por quê? Para entendermos o motivo deste mandamento divino, devemos responder às seguintes perguntas: 1) Por que Deus instituiu um dia para o Seu culto? 2) Por que o Sábado (Shabath) foi escolhido para ser este dia?
A resposta para a primeira pergunta encontrou no livro do Deuteronômio, onde lemos: "Lembra-te de que foste escravo no Egito, de onde a mão forte e o braço poderoso do teu Senhor te tiraram. É por isso que o Senhor, teu Deus, te ordenou observasses o dia do sábado" (Dt 5,15).
Como vemos a observância de um dia de adoração está relacionada à libertação que o Senhor proporcionou ao povo Hebreu, quando o tirou do cativeiro no Egito. Deus manifesta-se como o libertador de Seu povo, manifestando todo o Seu Poder e Glória, como verificamos no envio das pragas (cf. Ex 8;9;10;11) e depois ao separar o Mar Vermelho (cf. Ex 14,21-31) para que Israel pudesse finalmente se ver livre do julgo do Faraó.
O Deus libertador é aquele que guia o Seu Povo à Terra Prometida. Devemos perceber aqui que a libertação promovida pelo Senhor da escravidão do Egito é prenúncio da libertação que Cristo posteriormente promoverá da escravidão do pecado, nos conduzindo à Jerusalém Celestial.
Quanto à segunda pergunta, a resposta encontramos no livro do Êxodo: "Porque em seis dias o Senhor fez o céu, a terra, o mar e tudo o que contêm, e repousou no sétimo dia; e por isso o Senhor abençoou o dia de sábado e o consagrou" (Ex 20,11; cf. Gn 2,3).
Por esta razão no dia da libertação, o homem também deveria livrar-se do trabalho secular (cf. Am 8,5; Ex 34,21; 35,3; Ez 22,8; Jr 17,19-27; Dt 5,12-14); no dia em que Deus manifestou o Seu Amor pelo povo, o povo também manifestaria o seu amor por Ele (Lv 23,3; Lv 24,8; 1Cr 9,32; Nm 28,9-10; Is 1,12s). Isto lembra as palavras de São João: ?Nós amamos, porque Deus nos amou primeiro? (1 Jo 4,19).
Depois do que foi exposto, podemos identificar a dupla raiz da instituição do Dia de Adoração:
1) O dia da salvação do povo de Deus conforme Dt 5,15;
2) O dia da plenitude da criação cf. Ex 20,11; pois o Senhor cessou o seu trabalho (a criação do mundo) no sétimo dia, por que ele foi terminado no sexto dia. Deus não se cansa, caso contrário não seria Deus. O "descanso" ou "repouso" de Deus refere-se à cessão do Seu Divino trabalho. Shabath (Sábado) significa "cessão", "término de alguma atividade". Por isso, o Sétimo Dia também é o dia da Plenitude da Criação e não do "descanso" de Deus.
Jesus, o Sábado e o Domingo.
Com o passar do tempo, os Judeus deturparam a observância do Sábado. Eles se esqueceram das raízes espirituais desta divina observância, e se prenderam apenas à letra.
Na época de Jesus, 39 tipos de trabalho eram proibidos. Entre eles colher espigas (cf. Mt 12,2), carregar fardos (Jo 5,10), etc. Os doentes só podiam ser atendidos em perigo iminente de morte, motivo pelo qual se opuseram a Jesus, que curava aos sábados (cf. Mt 12,9-13; Mc 3,1-5; Lc 6,6-10; 13,10-17; 14,1-6; Jo 5,1-16; 9,14-16).
O Senhor contra os fariseus afirmou: "O sábado foi feito para o homem e não o homem para o sábado" (Mc 2,27). Por isso, declarou que era o Senhor do Sábado (Mc 2,28) e foi incriminado pelos doutores da Lei (Jo 5,9), ao que respondeu que nada mais fazia senão imitar o Pai que, mesmo tendo cessado a criação do mundo, continuou a governá-lo e também aos homens (Jo 5,17).
Alguns cristãos acreditam que neste momento Jesus estava abolindo a observância do Sábado. Os sabatistas contra argumentam dizendo que não; que Jesus estava era resgatando o sentido espiritual (a verdadeira raiz) desta divina observância. E neste ponto eles estão com toda razão.
Entretanto, os sabatistas enganam-se em pensar que a divina observância do Dia de Adoração, estaria para sempre fixada no Sábado.
Eles argumentam que o Sábado é perpétuo. Se isto fosse verdade, significaria que toda Lei Levítica (circuncisão, páscoa, incenso, sacerdócio, etc) também seria perpétua. Por exemplo, em Ex.12:14 está declarado que a páscoa terá de ser observada "por suas gerações" e "para sempre", exatamente como é dito sobre o Sábado. A oferta de incenso também é dita como perpétua (Ex.29:42). Lavagem de mãos e pés também (Ex.30:21).
Quando o Senhor afirma que o Sábado é perpétuo, não está se referindo à fixação do sétimo dia como dia de Adoração, mas refere-se ao Seu acordo, à Sua fidelidade para com a humanidade.
É o próprio Deus que através dos Profetas do AT anuncia que Seu Acordo se dará de uma nova forma: "Eis que os dias vêm, diz o Senhor, em que farei um pacto novo com a casa de Israel e com a casa de Judá, não conforme o pacto que fiz com seus pais, no dia em que os tomei pela mão, para os tirar da terra do Egito, esse meu pacto que eles invalidaram, apesar de eu os haver desposado, diz o Senhor. Mas este é o pacto que farei com a casa de Israel depois daqueles dias, diz o Senhor: Porei a minha lei no seu interior, e a escreverei no seu coração; e eu serei o seu Deus e eles serão o meu povo. E não ensinarão mais cada um a seu próximo, nem cada um a seu irmão, dizendo: Conhecei ao Senhor; porque todos me conhecerão, desde o menor deles até o maior, diz o Senhor; pois lhes perdoarei a sua iniqüidade, e não me lembrarei mais dos seus pecados" (Jr.31:31-34) (grifos meus).
O pacto da Antiga Aliança seria substituído por um Novo, onde o primeiro foi apenas uma figura do segundo que é Eterno (cf. Hb 9 ). Neste Novo pacto, o Senhor instituiria um novo dia para Sua Adoração, pois em um novo dia Ele iria salvar o seu Povo para sempre, conforme profetizou Oséias: "Farei em favor dela [Sua nova nação, a Igreja], naquele dia, uma aliança, com os animais selvagens, com as aves do céu e com os répteis da terra: farei desaparecer da terra o arco, a espada e a guerra e os farei repousar em segurança. Então te desposarei para sempre; desposar-te-ei conforme a justiça e o direito, com misericórdia e amor. Desposar-te-ei com fidelidade, e tu conhecerás o Senhor" (OS 2,20-22) (grifos meus).
O Senhor Jesus não aboliu a observância do Sábado em seu debate com os fariseus. Ele o fez após cumprir o anúncio dos Profetas, morrendo na Cruz e ressuscitando no primeiro dia da semana: Domingo.
Na Antiga Aliança, o Sábado foi estabelecido como o Dia de Adoração, pois foi o Dia da Libertação (cf. Deut 5,15) e o Dia da Plenitude da Criação (cf. Ex 20,11).
Na Nova e Eterna Aliança, o Domingo é estabelecido como o Novo Dia de Adoração, pelas mesmas razões: é o Dia em que o Senhor nos salvou do cativeiro do pecado e o Dia em que ressurgindo da Mansão dos Mortos, cessou o trabalho em Sua nova Criação (a natureza humana incorruptível). Desta forma, o Domingo também é o Dia da Libertação e da Plenitude da Criação.
A própria carta aos Hebreus acentua a índole figurativa do sábado, afirmando que o repouso do sétimo dia era apenas uma imagem do verdadeiro repouso que fluiremos na presença de Deus (cf. Hb 4,3-11). Onde no Sábado estava a figura (o prenúncio), no Domingo está a concretização. O Domingo é o Sábado eterno.
O Testemunho de Cristo, dos Apóstolos e do Espírito Santo
Jesus aparece à primeira vez aos Apóstolos no domingo, no dia da Ressurreição. Imaginem a alegria que os Apóstolos sentiram ao ver o Senhor Ressuscitado! Sobre isto escreveu o Salmista: "A pedra que os edificadores rejeitaram tornou-se cabeça da esquina. Foi o Senhor que fez isto, e é coisa maravilhosa aos nossos olhos. Este é o dia que fez o Senhor; regozijem-nos e alegremo-nos nele" (Sl 118,22-24). Ora, Jesus se tornou a Pedra Angular no dia em que Ressuscitou o dia da Ressurreição "foi o Dia que o Senhor fez".
Conforme o Profeta Jeremias, em Seu novo pacto, o Senhor promete escrever a Sua Lei no interior e no coração dos homens. E conforme Oséias, no dia em que isto acontecer, os homens O conhecerão. Ora, isto se cumpre exatamente num Domingo, quando o Espírito Santo é dado aos Apóstolos (cf. Jo 20,19-23; At 2,1-4); pois é o Espírito Santo que nos convence da vontade de Deus.
A segunda aparição do Senhor aos discípulos não é no Sábado, mas no novo "dia que o Senhor fez" (cf. Sl 118,24), isto é, no Domingo (cf. Jo 20,26), dia em que Tomé o adora como Deus (cf. Jo 20,29). Talvez tenham aqui a primeira adoração cristã a Deus no dia de Domingo.
O Culto Cristão acontece no domingo (cf. At 20,7; 1Cor 16,2). Os Sabatistas alegam que a "Ceia do Senhor" não era uma reunião de culto. A Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios mostra claramente que a reunião da "Ceia do Senhor" era uma reunião de culto. Basta verificar os capítulos 11 a 16.
No entanto muitos cristãos se viam tentados a judaizar, isto é, a observar as prescrições da Lei Mosaica. Os Gálatas era um exemplo e por causa deles São Paulo dirige-lhes uma epístola exatamente para tratar desta questão. E vejam a bronca que o Apóstolo dá neles: "Ó insensatos gálatas! Quem vos fascinou a vós, ante cujos olhos foi apresentada a imagem de Jesus Cristo crucificado? Apenas isto quero saber de vós: recebestes o Espírito pelas práticas da lei ou pela aceitação da fé? Sois assim tão levianos? Depois de terdes começado pelo Espírito, quereis agora acabar pela carne?" (Gl 3,1-3).
Quem ainda duvidar de que São Paulo também estava se referindo à observância do Sábado, então veja o que ele escreveu aos Colossenses: "Que ninguém vos critique por questões de comida ou bebida, pelas festas, luas novas ou sábados. Tudo isso nada mais é que uma sombra do que haveria de vir, pois a realidade é Cristo" (Cl 2,16-17) (grifos meus).
São Paulo confirma que o Antigo acordo (que incluía a observância do Sábado) foi substituído pelo Novo acordo cumprido pela Morte e Ressurreição do Senhor Jesus (que inclui agora o Domingo como o Dia do Senhor).
Mais uma confirmação Bíblica de que o Domingo é o Dia do Senhor, está no Livro do Apocalipse. Em Ap 1,10 São João escreve: "Num domingo, fui arrebatado em êxtase, e ouvi, por trás de mim, voz forte como de trombeta". A expressão que no português está como "num domingo" no original grego está "té kyriaké hémerà", que significa "No Dia do Senhor". Ora, aqui São João está dizendo que no Domingo, que é Dia do Senhor, Deus lhe deu uma revelação. Se o Domingo não é o Dia do Senhor, por que São João assim o indicou no Livro do Apocalipse?
Testemunhos dos primeiros cristãos
A Igreja do período pós-Apostólico, também confirmou a doutrina do Novo Dia de Adoração que recebeu dos Apóstolos. Vejamos alguns exemplos:
"Reúnam-se no dia do Senhor [= dominica dies = domingo] para partir o pão e agradecer, depois de ter confessado os pecados, para que o sacrifício de vocês seja puro" (Didaqué 14,1 - primeiro catecismo cristão, escrito no séc. I, mais precisamente no ano 96 dC) (grifos meus).
Santo Inácio, Bispo de Antioquia, que segundo a Tradição foi a criança que Cristo pegou no colo em Mc 3,36, também confirma a Doutrina Apostólica do Domingo: "9. Aqueles que viviam na antiga ordem de coisas chegaram à nova esperança, e não observam mais o sábado, mas o dia do Senhor, em que a nossa vida se levantou por meio dele e da sua morte. Alguns negam isso, mas é por meio desse mistério que recebemos a fé e no qual perseveramos para ser discípulos de Jesus Cristo, nosso único Mestre. Como podemos viver sem aquele que até os profetas, seus discípulos no espírito, esperavam como Mestre? Foi precisamente aquele que justamente esperavam, que ao chegar, os ressuscitou dos mortos. 10. Portanto, não sejamos insensíveis à sua bondade. Se ele nos imitasse na maneira como agimos, já não existiríamos. Contudo, tornando-nos seus discípulos, abraçamos a vida segundo o cristianismo. Quem é chamado com o nome diferente desse, não é de Deus. Jogai fora o mau fermento, velho e ácido, e transformai-vos no fermento novo, que é Jesus Cristo. Deixai-vos salgar por ele, a fim de que nenhum de vós se corrompa, pois é pelo odor que sereis julgados. É absurdo falar de Jesus Cristo e, ao mesmo tempo judaizar. Não foi o cristianismo que acreditou no judaísmo, e sim o judaísmo no cristianismo, pois nele se reuniu toda língua que acredita em Deus " (Carta de Santo Inácio de Antioquia aos Magnésios. 101 d.C.) (grifos meus).
Como se vê o discípulo pessoal de São Paulo confirma a doutrina que recebeu do Mestre, conforme este mesmo expôs aos Gálatas (Gl 1;3) e aos Colossenses (Cl 2,16-17).
Outro testemunho do séc II sobre o Domingo é de Justino de Roma, vejamos:
"67. Depois dessa primeira iniciação, recordamos constantemente entre nós essas coisas e aqueles de nós que possuem alguma coisa socorrem todos os necessitados e sempre nos ajudamos mutuamente. Por tudo o que comemos, bendizemos sempre ao Criador de todas as coisas, por meio de seu Filho Jesus Cristo e do Espírito Santo. No dia que se chama do sol, celebra-se uma reunião de todos os que moram nas cidades ou nos campos, e aí se lêem, enquanto o tempo o permite, as Memórias dos apóstolos ou os escritos dos profetas. Quando o leitor termina, o presidente faz uma exortação e convite para imitarmos esses belos exemplos. Em seguida, levantamo-nos todos juntos e elevamos nossas preces. Depois de terminadas, como já dissemos, oferece-se pão, vinho e água, e o presidente, conforme suas forças, faz igualmente subir a Deus suas preces e ações de graças e todo o povo exclama, dizendo: ?Amém?. Vem depois a distribuição e participação feita a cada um dos alimentos consagrados pela ação de graças e seu envio aos ausentes pelos diáconos. Os que possuem alguma coisa e queiram, cada um conforme sua livre vontade, dá o que bem lhe parece, e o que foi recolhido se entrega ao presidente. Ele o distribui a órfãos e viúvas, aos que por necessidade ou outra causa estão necessitados, aos que estão nas prisões, aos forasteiros de passagem, numa palavra, ele se torna o provedor de todos os que se encontram em necessidade. Celebramos essa reunião geral no dia do sol, porque foi o primeiro dia em que Deus, transformando as trevas e a matéria, fez o mundo, e também o dia em que Jesus Cristo, nosso Salvador, ressuscitou dos mortos. Com efeito, sabe-se que o crucificaram um dia antes do dia de Saturno e no dia seguinte ao de Saturno, que é o dia do Sol, ele apareceu a seus apóstolos e discípulos, e nos ensinou essas mesmas doutrinas que estamos expondo para vosso exame" (Justino de Roma 155 d.C, I Apologia cap 67) (grifos meus).
No tempo de Justino os cristãos eram ferozmente perseguidos e acusados das mais variadas calúnias. Justino que era responsável por uma escola de estudos bíblicos, escreve uma apologia (defesa) ao Imperador em favor dos cristãos. Por isso, ele ao se referir ao domingo utiliza a expressão "dia do sol", pois era no primeiro dia da semana que os pagãos adoravam o sol.
Podemos verificar aqui mais uma vez que a "Ceia do Senhor" não era uma mera reunião de confraternização, mas uma celebração de culto a Deus.
Ainda do segundo século temos o testemunho do advogado cristão Tertuliano, que escreveu muitas obras para as autoridades romanas em defesa dos cristãos perseguidos:
"Outros, de novo, certamente com mais informação e maior veracidade, acreditam que o sol é nosso deus. Somos confundidos com os persas, talvez, embora não adoremos o astro do dia pintado numa peça de linho, tendo-o sempre em sua própria órbita. A idéia, não há dúvidas, originou-se de nosso conhecido costume de nos virarmos para o nascente em nossas preces. Mas, vós, muitos de vós, no propósito às vezes de adorar os corpos celestes moveis vossos lábios em direção ao oriente. Da mesma maneira, se dedicamos o dia do sol para nossas celebrações, é por uma razão muito diferente da dos adoradores do sol. Temos alguma semelhança convosco que dedicais o dia de Saturno (Sábado) para repouso e prazer, embora também estejais muito distantes dos costumes judeus, os quais certamente ignorais" (Tertuliano 197 d.C. Apologia part.IV cap. 16) (grifos meus).
Tertuliano como escreve para os pagãos, também se refere ao primeiro dia da semana como "o dia do sol". Ele é testemunha que neste dia os cristãos não adoravam o sol, mas a Cristo.
Do terceiro século temos o testemunho de Hipólito de Roma, que também confirma a Tradição Apostólica de celebrar o culto cristão no Domingo: "No domingo pela manhã, o bispo distribuirá a comunhão, se puder, a todo o povo com as próprias mãos, cabendo aos diáconos o partir do pão; os presbíteros também poderão parti-lo. Quando o diácono apresentar a eucaristia ao presbítero, estenderá o vaso e o próprio presbítero o tomará e distribuirá ao povo pessoalmente. Nos outros dias, os fiéis receberão a eucaristia de acordo com as ordens do bispo" (Hipólito de Roma 220 d.C Tradição Apostólica part III) (grifos meus).
Conclusão
A fundadora do Adventismo do Sétimo Dia, a senhora Ellen G. White, afirmava em seus escritos que a instituição do Domingo como dia do Senhor, era invenção do Papado, e quem observasse este dia com Dia do Senhor receberia a marca da Besta. Por esta razão alguns Adventistas (acreditando mais na senhora White do que na Bíblia, nos Apóstolos, no Espírito Santo e nos cristãos dos primeiros séculos) têm procurado fundamentar esta afirmação pesquisando onde o Papado teria feito tal instituição. O melhor que fizeram até agora foi afirmar que o Papado substituiu o Dia do Senhor de Sábado para Domingo durante o Concílio de Laodicéia na Frigia, realizado em 360.
O Concílio de Laodicéia apenas confirmou a doutrina apostólica da observância do Domingo contra os cristãos judaizantes. Este Concílio não foi Geral, mas Local, e por esta razão, não envolveu o Bispo de Roma e nem tinha o poder de alcançar a Igreja inteira espalhada pelo mundo.
Devemos lembrar que os decretos contra os cristãos judaizantes foram instituídos pelos Apóstolos durante o Concílio de Jerusalém (cf. At 15). Conforme já expomos, estes decretos não favoreciam a observância do Sábado como Dia do Senhor.
Os Bispos de Jerusalém sempre foram fiéis a estes decretos, conforme podemos observar no testemunho de São Cirilo, Bispo de Jerusalém: "Não ceda de forma alguma ao partido dos Samaritanos, ou aos Judaizantes: por Jesus Cristo de agora em diante foste resgatado. Mantenha-se afastado de toda observância de Sábados, sobre o que comer ou como se purificar. Mas abomine especialmente todas as assembleias dos perversos heréticos" (São Cirilo de Jerusalém. Carta 4, 37) (grifos meus).
A autoridade do AT e do NT
Para os adventistas o AT e o NT possuem a mesma autoridade. Defendem esta tese com as seguintes palavras de S. Paulo: "Toda a Escritura é inspirada por Deus, e útil para ensinar, para repreender, para corrigir e para formar na justiça" (2 Tm 3,16).
Dizem eles “Toda é Toda”, concluindo que não se pode ter preferência pelo NT em detrimento ao AT.
Com efeito, de forma alguma negamos a inspiração divina do AT, nem tampouco dizemos que dele não se deve tirar proveito. Entretanto é o próprio Apóstolo que diz que a Lei não vale mais com o advento de Cristo:
“Irmãos, vou apresentar-vos uma comparação de ordem humana. Se um testamento for feito em boa e devida forma, por quem quer que seja, ninguém o pode anular ou acrescentar-lhe alguma coisa. Ora, as promessas foram feitas a Abraão e à sua descendência. Não diz: aos seus descendentes, como se fossem muitos, mas fala de um só: e a tua descendência, isto é, a Cristo. Afirmo, portanto: a lei, que veio quatrocentos e trinta anos mais tarde, não pode anular o testamento feito por Deus em boa e devida forma e não pode tornar sem efeito a promessa. Porque, se a herança se obtivesse pela lei, já não proviria da promessa. Ora, pela promessa é que Deus deu o seu favor a Abraão. Então que é a lei? É um complemento ajuntado em vista das transgressões, até que viesse a descendência a quem fora feita a promessa; foi promulgada por anjos, passando por um intermediário. Mas não há intermediário, tratando-se de uma só pessoa, e Deus é um só. Portanto, é a lei contrária às promessas de Deus? De nenhum modo. Se fosse dada uma lei que pudesse vivificar, em verdade a justiça viria pela lei; mas a Escritura encerrou tudo sob o império do pecado, para que a promessa mediante a fé em Jesus Cristo fosse dada aos que creem. Antes que viesse a fé, estávamos encerrados sob a vigilância de uma lei, esperando a revelação da fé. Assim a lei se nos tornou pedagogo encarregado de levar-nos a Cristo, para sermos justificados pela fé. Mas, depois que veio a fé, já não dependemos de pedagogo, porque todos sois filhos de Deus pela fé em Jesus Cristo”. (Gl 2,15-26) (grifos meus).
Aqui S. Paulo expõe muito bem a distinção de autoridade entre o AT e o NT. O Primeiro é o ministério da Lei através de Moisés, o segundo é ministério da Graça através de Cristo. O primeiro teve sua utilidade, mas pela Fé em Cristo não dependemos mais dele. Para S. Paulo o AT não é igual ao NT, nem tem a mesma autoridade. Interessante, pois aqui S. Paulo mostra que o NT é mais antigo que o AT.
Ainda: “Sepultados com ele [Cristo] no batismo, com ele também ressuscitastes por vossa fé no poder de Deus, que o ressuscitou dos mortos. Mortos pelos vossos pecados e pela incircuncisão da vossa carne, chamou-vos novamente à vida em companhia com ele. É ele que nos perdoou todos os pecados, cancelando o documento escrito contra nós, cujas prescrições nos condenavam. Aboliu-o definitivamente, ao encravá-lo na cruz" (Cl 2,12-14) (grifos meus).
S. Paulo mais uma esclarece que o AT foi abolido por Cristo na Cruz. Para os sabatistas o Apóstolo está se referindo apenas às observâncias cerimoniais. Ora, desde quando estas observâncias acusavam os judeus? O que os acusavam eram as prescrições morais da Lei (cf. Tg 2,10-11). Mas os sabatistas que dizem ter a Bíblia como única regra de Fé e prática dizem que tais prescrições ainda valem para nós cristãos.
A doutrina Paulina entre os Testamentos também é expressa de forma clara em Hebreus 9.
Sobre os Dez Mandamentos
Para os sabatistas dos Dez Mandamentos conforme constam na letra do AT são irrevogáveis. Daí concluem que os cristãos ainda estão obrigados à observância do Sábado dos judeus.
Vejamos o que S. Paulo diz sobre os Dez Mandamentos:
"Ora, se o ministério da morte, gravado com letras em pedras, se revestiu de tal glória que os filhos de Israel não podiam fitar os olhos no rosto de Moisés, por causa do resplendor de sua face (embora transitório), quanto mais glorioso não será o ministério do Espírito! Se o ministério da condenação já foi glorioso, muito mais o há de sobrepujar em glória o ministério da justificação! Aliás, sob esse aspecto e em comparação desta glória eminentemente superior, empalidece a glória do primeiro ministério. Se o transitório era glorioso, muito mais glorioso é o que permanece!" (2Cor 3,7-11) (grifos meus).
A Escritura não deixa dúvidas de que o Apóstolo estava se referindo aos Dez Mandamentos. S. Paulo se refere a um evento registrado no Êxodo:
"Moisés ficou junto do Senhor quarenta dias e quarenta noites, sem comer pão nem beber água. E o Senhor escreveu nas tábuas o texto da aliança, as dez palavras. Moisés desceu do monte Sinai, tendo nas mãos as duas tábuas da lei. Descendo do monte, Moisés não sabia que a pele de seu rosto se tornara brilhante, durante a sua conversa com o Senhor. E, tendo-o visto Aarão e todos os israelitas, notaram que a pele de seu rosto se tornara brilhante e não ousaram aproximar-se dele" (Ex 34,28-30) (grifos meus).
Para S. Paulo o Decálogo era transitório e tornou-se pálido com o advento de Cristo. Enquanto para os sabadistas ele é eterno e vivo. Ver ainda 2Cor 3,2-3.
Sobre o Sábado e comidas
Os adventistas crêem que os cristãos devem guardar o Sábado e que devem se abster de carne de porco. Porém, S. Paulo escreveu aos Colossenses: "Ninguém, pois, vos critique por causa de comida ou bebida, ou espécies de festas ou de luas novas ou de sábados. Tudo isto não é mais que sombra do que devia vir. A realidade é Cristo" (Col 2,16-17) (grifos meus).
Dizem os adventistas que S. Paulo estava se referindo aos sábados festivos e comemorativos. Porém, S. Paulo utiliza aqui a palavra grega Sabbaton, que quando utilizada na forma como empregou o Apóstolo (sem ser precedida de numeral ordinal: primeiro, segundo e etc) significa Sétimo Dia. No NT TODAS AS VEZES em que este ela aparece nesta forma refere-se ao Sétimo Dia. Por quê só em Col 2,16 não?
Os sábados comemorativos são as festas e as luas novas (cf. Nm 10,10; 1Cr 23,31; Jt 8,9; Is 1,13-14; Os 2,13). Se S. Paulo estivesse referindo-se somente aos sábados comemorativos não relacionaria do Sétimo Dia ao lado das festas e luas novas.
S. Paulo ensina aos Colossenses que os cristãos não devem ser incomodados por causa de comida e bebida, entretanto Ellen White prescreveu uma série de restrições alimentares.
No Domingo acontecia a Ceia do Senhor, reunião de adoração a Deus.
Em 1Cor 11 S. Paulo dá instruções sobre como os fiéis devem se comportar nas reuniões de Culto a Deus. Os versículos 20 e diante tratam exatamente da Ceia do Senhor que era ordinariamente celebrada no primeiro dia da semana, isto é, Domingo (cf. At 20,7). Ainda em 1Cor 16,2 há instruções sobre as coletas. Isso prova que a Ceia do Senhor não era uma mera reunião de refeição como ensina Ellen White. Prova também que o Domingo desde os tempos apostólicos já era observado como dia de culto.
O Juízo Investigativo
Ellen White ensina que Jesus em 22 de Outubro de 1844 entrou no Santuário Celeste para espiar os pecados dos homens. Porém em Hebreus lemos: "[...] [Cristo] Depois de ter realizado a purificação dos pecados, está sentado à direita da Majestade no mais alto dos céus" (Hb 1,3). Logo Jesus não realizou a expiação dos pecados em 1844, mas com seu sacrifício na Cruz.
Também consta em Hebreus: "Porém, já veio Cristo, Sumo Sacerdote dos bens vindouros. [...] sem levar consigo o sangue de carneiros ou novilhos, mas com seu próprio sangue, entrou de uma vez por todas no santuário, adquirindo-nos uma redenção eterna" (Hb 9,11-12) (grifos meus). A Escritura ensina que Cristo entrou no santuário celeste logo após sua morte e não em 22 de Outubro de 1844.
Jesus tinha pecado?
Ellen White ensina que Jesus era tudo semelhante a nós, inclusive no pecado. Como pode Deus ser inimigo de Si mesmo, já que o pecado é uma ofensa a Ele? É claro que a Escritura rechaça tamanho absurdo. Veremos qual é o ensino Paulino sobre esta matéria:
"E esta aliança da qual Jesus é o Senhor, é-lhe muito superior. Além disso, os primeiros sacerdotes deviam suceder-se em grande número, porquanto a morte não permitia que permanecessem sempre. Este, porque vive para sempre, possui um sacerdócio eterno. É por isso que lhe é possível levar a termo a salvação daqueles que por ele vão a Deus, porque vive sempre para interceder em seu favor. Tal é, com efeito, o Pontífice que nos convinha: santo, inocente, imaculado, separado dos pecadores e elevado além dos céus, que não tem necessidade, como os outros sumos sacerdotes, de oferecer todos os dias sacrifícios, primeiro pelos pecados próprios, depois pelos do povo; pois isto o fez de uma só vez para sempre, oferecendo-se a si mesmo" (Hb 7,22-27) (grifos meus).
É a própria Escritura na qual os adventistas dizem ser sua regra única de Fé que afirma que Jesus não tinha necessidade de oferecer sacrifícios por seus pecados, pois eles eram inexistentes, pois era “santo, inocente, imaculado, separado dos pecadores”. É um absurdo que tamanha heresia seja ensinada como doutrina cristã autêntica.
Quem obterá vitória sobre o Demônio?
Ellen White ensina que a “Igreja Remanescente”, isto é, a Igreja Adventista, obterá a vitória final contra o Demônio. Entretanto lemos na carta aos Romanos: "a todos os que estão em Roma, queridos de Deus, chamados a serem santos: a vós, graça e paz da parte de Deus, nosso Pai, e da parte do Senhor Jesus Cristo! Primeiramente, dou graças a meu Deus, por meio de Jesus Cristo, por todos vós, porque em todo o mundo é preconizada a vossa fé [...] O Deus da paz em breve não tardará a esmagar Satanás debaixo dos vossos pés. A graça de nosso Senhor Jesus Cristo esteja convosco!" (Rm 1,7-8.20) (grifos meus).
S. Paulo não só ensina como também profetisa que a vitória será da Igreja Romana.
Conclusão
Seria necessário escrever um livro para apresentar todas as contradições da doutrina adventista em relação à Bíblia. Tais contradições são gritantes e bradam até aos céus!
Aos seguidores de Ellen White valem ainda as palavras de S. Paulo: "Purificai-vos do velho fermento, para que sejais massa nova, porque sois pães ázimos, porquanto Cristo, nossa Páscoa, foi imolado" (1 Cor 5,7). Com efeito, ainda estão ligados ao velho fermento dos fariseus (cf. Mt 16,6), por isso possuem tanta dificuldade em aceitar toda a Graça de Cristo. Também sobre isso S. Paulo ensinou: "Não fazemos como Moisés, que cobria o rosto com um véu para que os filhos de Israel não fixassem os olhos no fim daquilo que era transitório [o Decálogo]. Em consequência, a inteligência deles permaneceu obscurecida. Ainda agora, quando leem o Antigo Testamento, esse mesmo véu permanece abaixado, porque é só em Cristo que ele deve ser levantado. Por isso, até o dia de hoje, quando leem Moisés, um, véu cobre-lhes o coração. Esse véu só será tirado quando se converterem ao Senhor" (2 Cor 2,13-16).
segunda-feira, 1 de julho de 2013
A FÉ SALVADORA
Lucas 18:42
Eu não recordo que esta expressão pode ser encontrada em nenhuma outra parte da Bíblia. Está nestes dois versículos do Evangelho de Lucas, mas não a achamos nos demais Evangelhos. Lucas também nos dá uma expressão parecida ou quase idêntica em outras duas passagens: “tua fé te curou.” (Bíblia das Américas). Esta expressão foi usada em referência à mulher cujo fluxo de sangue havia sido estancado instantaneamente (Lucas 8:48), e também em conexão com o único dos dez leprosos que regressou para glorificar o Salvador pela limpeza que tinha recebido (Lucas 17:19).
Poderão encontrar a expressão, “tua fé te curou” uma vez em Mateus e duas vezes em Marcos, mas a encontrarão duas vezes em Lucas, além das palavras de nosso texto que são repetidas duas vezes: “Tua fé te salvou.” Acaso nos equivocamos ao supor que a larga convivência de Lucas com o apóstolo Paulo lhe permitiu não só receber a grandiosa doutrina da justificação pela fé, que Paulo ensinava de maneira tão clara, e outorgar à fé essa alta importância que Paulo sempre lhe dava, mas também ter essa memória peculiar dessas expressões usadas pelo Salvador, nas quais a fé era honrada de maneira manifesta e a um grau extremamente elevado?
Embora Lucas não tenha escrito nada que não fosse verdade simplesmente para proclamar essa grandiosa doutrina ensinada pelo apóstolo tão claramente, sem dúvida eu creio que sua plena convicção dela tenha lhe ajudado a trazer à sua memória mais vividamente essas palavras do Senhor Jesus, nas quais se poderia entender essa doutrina de maneira mais clara e com exemplos.
Seja como for, sabemos que Lucas estava inspirado, e que não tinha escrito nada nem demais nem de menos, senão o que o Salvador disse na realidade, e aqui podemos estar seguros que a expressão, “Tua fé te salvou,” saiu dos lábios do Redentor e somos obrigados a aceitá-la como uma pura verdade inquestionável, e nós podemos repeti-la sem temor de confundir outros ou de mutilar outras verdades.
Menciono isso porque outro dia escutei um amigo sincero dizer que a fé não nos salvava e, diante desta afirmação, fiquei muito surpreso. É verdade que esse irmão disfarçou sua expressão e disse que queria deixar muito claro que Jesus foi quem nos salvou e não nosso próprio ato de fé. Eu estou de acordo com o que ele quis dizer, mas não com o que disse, pois ele não tinha o direito de usar uma expressão que estava em franca contradição com a claríssima declaração do Salvador, “Tua fé te salvou.”
Nós não devemos forçar nenhuma expressão para fazê-la expressar algo mais além do que se pretendeu dizer, e é bom proteger as palavras para que não sejam mal entendidas; mas por outro lado, não podemos ir tão longe como para negar uma declaração do próprio Senhor, independentemente de que sentido queremos lhe dar. Podemos destacar, mas não contradizer a expressão, pois ali está firme, inalterável, “Tua fé te salvou.”
Agora, no dia de hoje vamos indagar, com a ajuda de Deus, o que foi que salvou as duas pessoas cujas histórias estaremos considerando? Foi sua fé. Nossa segunda pergunta será que tipo de fé os salvou? E depois, em terceiro lugar, o que isso nos ensina referente à fé?
I. O QUE SALVOU as duas pessoas cujas histórias estamos considerando?
No caso da mulher penitente, seus grandes pecados foram perdoados e se converteu numa mulher de extraordinário amor: amou muito, pois muito lhe foi perdoado. Ao pensar nela sinto um pouco como aquele eminente pai da igreja que dizia: “eu não posso pregar bem em relação a esta narração; prefiro mais lamentar bem a respeito dela em secreto.”
As lágrimas dessa mulher, as tranças soltas dessa mulher secando os pés do Salvador, o fato de que se aproximou de seu Senhor apesar dos que O rodeavam, enfrentando seus orgulhosos comentários com uma determinação muito firme e resoluta de honrar a Jesus; certamente, entre aqueles que têm amado o Salvador, não viveu ninguém maior que esta mulher que foi uma pecadora. E sem dúvida, apesar de tudo isso, Jesus não lhe disse: “teu amor te salvou.” O amor é uma maçã de ouro da árvore cuja raiz é a fé, e o Senhor teve o cuidado de não atribuir ao fruto isso que só pertence à raiz.
Esta mulher cheia de amor também foi muito notável por seu arrependimento. Observem bem essas lágrimas. Não eram lágrimas de emoção sentimental, mas uma chuva procedente da santa dor do coração pelo pecado. Ela havia sido pecadora e o sabia; ela recordava muito bem a multidão de suas iniquidades, e sentia que cada pecado merecia uma lágrima, e ali estava ela, desfazendo-se em lágrimas, porque havia ofendido seu amado Senhor. E sem dúvida não foi dito: “teu arrependimento te salvou.”
Ser salva causou seu arrependimento, mas o arrependimento não a salvou. A dor pelo pecado é uma mostra temporã da graça em seu coração, e sem dúvida não foi dito em nenhuma parte: “tua dor pelo pecado te salvou.” Ela era uma mulher de grande humildade. Aproximou-se do Senhor por trás e lavou Seus pés, como se somente se sentisse capaz de ser uma serva de baixa categoria encarregando-se de obras tediosas, mas encontrando prazer ao fazê-lo para servir o Senhor.
Sua reverência por Ele havia alcançado um ponto muito elevado; ela o via como um rei, e ela fez o que algumas vezes súditos zelosos pelos monarcas têm feito: ela beijou os pés do Senhor de seu coração, do Soberano de sua alma, mas não acho que Jesus tenha dito: “tua humildade te salvou;” ou que tenha dito: “tua reverência te salvou”; mas pôs a coroa sobre a cabeça de sua fé e lhe disse expressamente: “tua fé te salvou, vá em paz.”
No caso do cego a quem se refere meu segundo texto, este homem era notável por sua confiança; ele clamava e dava vozes: “Filho de Davi, tem misericórdia de mim!” Ele era notável por sua importunação, e aqueles que queriam calá-lo lhe reprendiam em vão; ele clamava muito mais, “Filho de Davi, tem misericórdia de mim!” Mas eu não descubro que Jesus tenha atribuído sua salvação a suas orações, embora tivessem sido plenas de confiança e incômodas. Não está escrito, “tuas orações te salvaram”; está escrito, “tua fé te salvou.” Ele era um homem de conhecimento claro e considerável, e tinha um claro entendimento do verdadeiro caráter de Cristo: ele não quis chama-lo Jesus de Nazaré, como fazia a multidão, mas o proclamou “Filho de Davi,” e na presença desse tropel de gente teve o valor de declarar sua plena convicção que esse homem humilde, vestido com as roupas de um campesino, que ia empurrado na multidão, não era outro senão o herdeiro do reino da linha real de Judá, quem daria pleno cumprimento ao tipo de Davi, o Messias esperado, o Rei dos judeus, o Filho de Davi.
E sem dúvida, não encontro que Jesus tenha atribuído sua salvação a seu conhecimento, nem a seu claro entendimento, ou a sua clara referência ao Messias; mas que lhe disse, “tua fé te salvou,” pondo toda a ênfase de sua salvação em sua fé.
Sendo assim em ambos os casos, somos levados a perguntar: qual é a razão disso? Por que em cada caso, em cada homem que é salvo, a fé é o grande instrumento de salvação? Não é, primeiro, porque Deus tem o direito de eleger o caminho de salvação que Lhe agrada, e Ele elegeu que os homens devem ser salvos, não por suas obras, mas por sua fé em Seu amado Filho? Deus tem o direito de outorgar Sua misericórdia a quem Ele queira; Ele tem o direito de dá-la quando Ele queira; Ele tem o direito de concedê-la do modo que Ele queira; e saibam isto, ó filhos dos homens, que o decreto do céu é imutável, e permanece firme para sempre: “O que crer e for batizado será salvo, mas o que não crer será condenado.” Para isso não haverá nenhuma exceção; o SENHOR estabeleceu a regra e será aplicada sempre.
Se você quiser alcançar a salvação, “Crê no Senhor Jesus Cristo e serás salvo“; mas se você não crê, a salvação é totalmente impossível para você. Este é o caminho assinalado; siga-o e ele o levará ao céu; rejeite-o e você perecerá. Esta é a determinação soberana, “aquele que crer, não será condenado; mas o que não crer, já está condenado, porque não creu no nome do unigênito Filho de Deus.” A vontade do SENHOR sempre se cumprirá. Se este é Seu método de graça, não demos pontapés contra ele. Se Ele determina que a fé o salvará, assim será; apenas, Bom Senhor, cria e aumenta nossa fé.
Mas enquanto eu atribuo isso à eleição soberana de Deus, vejo certamente, pois a Escritura o indica claramente, uma razão na natureza das coisas do porquê a fé teve que ser eleita. O apóstolo nos disse que é por fé para que possa ser por graça. Se a condição da salvação tivesse sido o sentimento ou as obras, então, tal é a depravação de nossa natureza que inevitavelmente atribuiríamos o mérito da salvação às obras ou ao sentimento. Nós reclamaríamos uma participação nisso e, portanto, desejaríamos a glória. Não importa quão baixa poderia ter sido a condição, mesmo assim o homem teria considerado que tinha algo que se requeria dele, que algo vinha dele, e que, portanto, poderia merecer algum crédito para si mesmo. Mas nenhum homem, a menos que esteja louco, reclama jamais um crédito por crer na verdade. Se ele ouve algo que o convence, fica convencido; se tem que ser persuadido, é persuadido; mas ele sente que não pode ser de outra maneira.
Ele atribui o efeito à verdade e à influência usada. Não anda rondando e presumindo porque ele crê o que lhe parece tão claro, que não pode duvidar. Se na verdade presumira de fé espiritual, todos os homens pensantes diriam de imediato: “Por que razão presume do fato de haver crido, especialmente quando esta fé nunca foi sua se não fosse a força da verdade que o convenceu, e a obra do Espírito de Deus a que o constrangeu a crer?”
A fé é eleita por Cristo para levar a coroa da salvação porque (permitam-me contradizer-me) ela recusa levar a coroa. Foi Cristo quem salvou a mulher penitente, foi Cristo quem salvou o mendigo cego, mas Ele retira a coroa de Sua cabeça – tão amada é a fé para Ele – e põe o diadema sobre a cabeça da fé e diz: “tua fé te salvou,” porque está absolutamente seguro que a fé nunca tomará a glória para si, mas porá novamente a coroa junto aos pés transpassados, e dirá: “não é para mim a glória, pois Tu o fizeste; Tu és o Salvador, e só Tu.” Então, para ilustrar e para proteger os interesses da graça soberana, e para eliminar toda a vanglória, agradou a Deus fazer que o caminho da salvação seja pela fé e por nenhum outro meio.
E isto não é tudo. Fica muito claro a todo aquele que pensa que para a regeneração do coração, que é a parte principal da salvação, está bem começar com a fé; porque uma vez exercitada corretamente a fé se converte no motor da natureza inteira. O homem crê que foi perdoado. Que acontece então? Sente gratidão para com Aquele que o tem perdoado. Sentindo-se grato, é muito natural que odeie tudo aquilo que desagrada ao seu Salvador, e que ame intensamente o que agrada Aquele que o salvou, de tal forma que a fé opera sobre a natureza inteira, e se converte no instrumento na mão do Espírito regenerador, pelo qual todas as faculdades da alma são postas na condição correta.
Da maneira que um homem pensa em seu coração, assim é esse homem, pois seus pensamentos saem de suas crenças; se esse homem é corrigido em suas crenças, então seu entendimento operará sobre seus afetos, e todos os outros poderes de sua condição de homem, e todas as velhas coisas passarão, todas as coisas se converterão em novas por meio do maravilhoso efeito da fé, que é da operação de Deus.
A fé funciona por amor, e por meio do amor purifica a alma, e o homem se converte em uma nova criatura. Então, vocês veem a sabedoria de Deus? Ele pode eleger o caminho que Ele quiser, mas Ele elege um caminho que simultaneamente guarda Sua graça de nossas jactâncias malvadas, e por outro lado produz em nós uma santidade que de outra forma nunca tinha estado lá.
Fé na salvação, sem dúvida, não é uma causa meritória; nem é tampouco em nenhum sentido a salvação mesma. A fé nos salva da mesma maneira que a boca nos salva da fome. Se temos fome, o alimento é a cura real para a fome, mas seria correto dizer que comer tira a fome, sendo que o próprio alimento não poderia beneficiar-nos, a menos que a boca o receba.
A fé é a boca da alma, por meio da qual se sacia a fome do coração. Cristo é também a serpente de bronze levantada; todo o poder de sarar está Nele; sem dúvida o poder de sarar não sai da serpente de bronze para quem não olhar para ela; de tal maneira que o olhar é corretamente considerado como o ato que salva. Certo, no sentido mais profundo é Cristo levantado quem salva, e a Ele seja toda a glória; mas sem olhar para Ele não podem ser salvos, assim que:
“Há vida quando se olha,”
Assim como há vida no Salvador para Quem vocês olham. Nada é de vocês enquanto não se apropriem. Se querem receber riquezas, a coisa da qual se aproprie o enriquece; não é incorreto mas estritamente correto dizer que é a apropriação da bênção o que o faz rico. A fé é a mão da alma. Ao esticá-la, se agarra à salvação de Cristo, e assim pela fé somos salvos. “Tua fé te salvou”. Não devo ficar mais tempo neste ponto. É muito evidente pelo texto que a fé é o grande instrumento da salvação.
II. QUE TIPO DE FÉ salvou essas pessoas? Primeiro, mencionarei os acordos essenciais; e depois, em segundo lugar, as diferenças, ou os pontos nos quais esta fé difere em suas manifestações externas nos dois casos.
Nos casos da mulher penitente e do mendigo cego, sua fé estava fixada unicamente em Jesus. Eles não podem descobrir nada flutuando em sua fé em Jesus, que a tenha adulterado; foi uma fé Nele, sem nenhuma mescla. A mulher abriu seu caminho até Ele, suas lágrimas caíram sobre Ele; seu unguento foi para Ele; suas tranças soltas foram uma toalha para Seus pés; não lhe preocupava mais nada, nem sequer os discípulos, que ela respeitava por Sua causa; todo seu espírito e toda sua alma estavam absorvidos Nele. Ele podia salvá-la; Ele podia apagar seus pecados. Ela acreditava Nele; ela o fez para Ele. O mesmo foi o caso com esse homem cego. Ele não tinha nenhum pensamento acerca de algumas cerimônias que os sacerdotes deviam desempenhar; não tinha nenhuma ideia que lhe tivesse chegado por meio dos médicos. Sua exclamação foi, “Filho de Davi, Filho de Davi.” A única forma em que se fixou nos demais foi para não os levar em conta, e clamar, “Filho de Davi, Filho de Davi.” “Que queres que te faça?” foi a pergunta do Senhor, e respondeu ao anelo de sua alma, pois ele sabia que se algo devia ser feito tinha que se fazer pelo Filho de Davi.
É essencial que nossa fé descanse unicamente em Jesus. Misturem qualquer coisa com Cristo e estarão arruinados. Se sua fé descansa com um pé sobre a rocha de seus méritos e com o outro pé sobre a areia de seus próprios deveres, você cairá e grande será sua queda. Construam solidamente sobre a rocha, pois se somente só uma esquina do edifício descanse em qualquer outra coisa alem da rocha, isso será a garantia da ruína do prédio todo:
“Nada senão apenas Jesus, nada senão apenas Jesus
Pode fazer bem aos impotentes pecadores.”
Toda fé verdadeira é semelhante a este respeito.
A fé desses dois era semelhante em sua confissão de indignidade. O que significava aquilo que ela tinha deixado para trás? O que significavam suas lágrimas, suas lágrimas intermináveis, senão que ela se sentia indigna de achegar-se a Jesus? E que queria dizer o clamor do mendigo: “tem misericórdia de mim”? Observem a ênfase que põe a respeito. “Tem misericórdia de mim.” Ele não reclama a saúde por mérito, nem a pede como uma recompensa. Ele apelou à misericórdia. Agora, não me importa de que fé se trata, seja a de Davi em seus amargos clamores do Salmo 51, ou seja a de Paulo em sua exaltação mais elevada em relação a estar sem condenação por meio de Cristo, sempre há em conexão com a verdadeira fé um pleno e profundo sentido que é a misericórdia, e unicamente a misericórdia, é o que nos salva da ira vindoura.
A fé e a vanglória são tão opostas como são os dois polos. Se você se apresenta diante de Cristo com sua justiça em suas mãos, aproxima-se sem fé; mas se vem com fé então também deve vir com a confissão do pecado, pois a verdadeira fé sempre caminha de mãos dadas com um profundo sentido de culpabilidade diante do Altíssimo. Isto é assim em todos os casos.
Ademais, a fé deles era semelhante quando desafiavam e conquistavam a oposição. Pouco sabemos das lutas internas da mulher penitente quando passou pela porta da casa de Simão. “Ele te rejeitará,” diria o duro fariseu imperturbável, “melhor ir-te, rameira; como te atreves a manchar as portas dos homens honestos.” Mas sem se importar com o que poderia ocorrer, ela atravessa as portas, aproxima-se dos pés do Salvador que estão estendidos para a entrada, estando Ele recostado à mesa, e ali se mantém. Simão a vê: queria que seu olhar a secasse, mas o amor dela por Cristo estava muito bem arraigado para ser secado por ele.
Sem dúvida ele fez muitos gestos de desagrado, mostrando que estava horrorizado porque tal criatura havia ousado aproximar-se, mas ela não lhe prestou atenção. Seu Senhor estava ali, e ela se sentia segura. Tímida como uma pomba, ela não tremia quando Ele se encontrava perto; mas não devolvia olhares desafiantes as grosserias de Simão; seus olhos estavam ocupados em chorar. Ela não se voltou para pedir uma explicação por seus movimentos pouco amáveis, pois seus lábios estavam ocupados em beijar os amados pés de seu Senhor. Seu Senhor, seu Senhor, era tudo para ela. Ela triunfou por meio da fé Nele, e manteve sua posição, não abandonou a casa até que Ele a despediu com “vá em paz.”
Ocorreu o mesmo com o cego. Ele disse, “Filho de Davi, tem misericórdia de mim.” Eles o repreenderam, “Cala-te! Cego, para que esses clamores? A eloquência Dele é música; não o interrompas. Nunca um homem falou como Ele está falando. Cada tom têm o som de harpas dos anjos. Cale-se! Como se atreves a estragar Seu discurso?” Mas acima de todos eles se elevou ainda mais a petição importuna, “Filho de Davi, tem misericórdia de mim!” e o cego prevaleceu.
Toda fé verdadeira enfrenta oposição. Se sua fé nunca enfrenta provas, não é nascida da raça da igreja militante. “Esta é a vitória que vence o mundo, nossa fé,” mas nessa mesma declaração se indica que há algo que deve ser vencido, e que a fé deve pelejar uma guerra para existir.
Uma vez mais, a fé dessas duas pessoas era semelhante no sentido que era confessada abertamente. Não vou dizer que a confissão tomou a mesma forma em ambos os casos, pois não foi assim; mas mesmo assim ambas foram confissões abertas. Ali está o Salvador, e ali vem a penitente chorando. Ela o ama. Causa-lhe vergonha dizê-lo? Poderia acarretar-lhe reprovações; certamente este feito reavivará as velhas censuras contra ela, pois ela tinha sido uma pecadora. Não importa o que tenha sido, nem quem está presente vendo-a. Ela ama seu Senhor, e quer demonstrá-lo.
Ela traz unguento e ungirá Seus pés, mesmo na presença dos fariseus, fariseus que certamente irão dizer, “esta também pertence aos discípulos de Cristo? Que qualidade de mulher convertida! Uma excelente conquista é esta, para Seu reino! Uma prostituta se converte em discípula! Que podemos esperar em continuação?” Ela deve ter conhecido e sentido tudo isso, mas mesmo assim não teve nenhuma dissimulação. Ela amava seu Senhor, e ia proclamá-lo de qualquer forma, mesmo na própria casa do fariseu, já que não havia uma oportunidade mais conveniente; e então ela se adianta e, sem palavras, mas com ações muito mais eloquentes que as palavras, diz, “eu te amo. Estas lágrimas o demonstram; este unguento vai difundir seu conhecimento, conforme seu doce perfume encha a habitação; e cada fio do meu cabelo será um testemunho de que eu pertenço ao Senhor e Ele pertence a mim.” Ela proclamou sua fé.
E o mesmo fez o cego. Não se sentou simplesmente dizendo, “eu sei que Ele é o Filho de Davi, mas não devo dizê-lo.” Eles diziam, alguns com desprezo e outros com indiferença, “é Jesus de Nazaré.” Mas o cego não ia aceitar isso. “Tu, Filho de Davi,” disse; e eu o escuto exclamar bem alto, por cima do ruído deles, como um arauto proclamando ao Rei, “Filho de Davi!” Pois bem, senhores, parece-me que ele foi exaltado a um elevado ofício: se converteu no arauto do Rei, e o proclamou, e isto pertence a um elevado oficial de Estado no nosso país.
O mendigo cego demonstrou uma grande decisão e valor. Em efeito clamou: “Tu és o Filho de Davi; filho de Davi, eu te proclamo; serás proclamado Filho de Davi, e não importa quem queira negá-lo; só volta Teus olhos e tem misericórdia de mim.” Há alguém aqui que tenha fé em Cristo, da qual se envergonhe? Eu também me envergonho dele e Cristo também se envergonhará dele quando vier na glória de Seu Pai e todos Seus santos anjos com Ele.
Envergonha-se de manifestar que é honesto? Então, creio que vive rodeado de más companhias, onde ser um malfeitor é ser famoso; e se você se envergonha em dizer, “eu amo meu Senhor,” parece-me que está cortejando os inimigos de Cristo, e então, acaso você não é também um inimigo?
Se o amas, diga-o. Ponha o uniforme do regimento de seu Senhor, aliste-se em Seu exército, dê um passo à frente e declare: “eu e minha casa serviremos a Jehová.” Sua fé, então, era semelhante nestes quatro pontos específicos, estava posta unicamente Nele, estava acompanhada de um sentimento de indignidade, lutou e conquistou a oposição, e foi declarada abertamente em frente a todos os presentes.
Apelando à sua paciência vou tratar de mostrar as diferenças entre ambas em relação a suas manifestações. Em primeiro lugar, a fé da mulher atuou como uma fé de mulher. Ela mostrou um amor terno, e os afetos são a glória e a fortaleza das mulheres. Assim certamente eram nela. Seu amor era intenso, amor feminino, e ela o dirigiu ao Salvador. A fé do homem atuou como a fé de um varão em sua determinação e força. Persistiu em clamar, “Tu, Filho de Davi.” Havia muito de masculino acerca da sua fé assim como havia muito de feminino na fé da mulher penitente, e tudo deve ser conforme a sua ordem e suas estações. Não teria sido apropriado que a voz de uma mulher se escutasse muito sonora por cima da multidão; pareceria descabido que as lágrimas de um homem tivessem caído aos pés do Salvador. Qualquer dos dois casos poderia ser justificado, mas nenhum dos dois teria sido tão apropriado. Mas agora ambos são apropriados posto que são excelentes.
A mulher atua como uma mulher piedosa deve fazê-lo; o homem atua como um homem piedoso. Nós não devemos medir-nos conforme a medida de outras pessoas. Meu irmão, não diga: “eu não poderia derramar lágrimas.” Quem pediu a você que o fizesse? As lágrimas de um homem estão basicamente no interior, e devem permanecer ali: corresponde a nós usar outros modos de demonstrar nosso amor. Minha irmã, não diga, “eu não poderia atuar como um arauto e proclamar publicamente o Rei.” Não duvido que poderia fazê-lo se houvesse necessidade disso, mas suas lágrimas em segredo, e essas mudas demonstrações de amor a Jesus com que você o está brindando, não são menos aceitáveis porque não são as mesmas que um homem daria. Não, mas são as melhores porque são as adequadas para você. Não pense que todas as flores do jardim de Deus devem florescer com o mesmo colorido ou derramar o mesmo perfume.
Continuando, observem que a mulher atuou como uma mulher que tinha sido uma pecadora. Que pode ser mais conveniente que as lágrimas? Que lugar pode ser mais adequado para ela que estar aos pés do Salvador? Ela tinha sido uma pecadora, e ela atua como uma pecadora; mas o homem que tinha sido um mendigo atua como um mendigo. Que faz um mendigo senão clamar por esmolas? Acaso não mendigou gloriosamente? Ninguém jamais praticou com maior afinco sua profissão que ele. “Filho de Davi,” disse, “tem misericórdia de mim.” Eu detestaria ter visto o mendigo sentado na beira do caminho chorando; nem tampouco gostaria de ter escutado a mulher penitente dando gritos. Nenhuma dessas duas coisas seria natural ou apropriada. A fé opera de acordo a condição, às circunstâncias, sexo, ou habilidade da pessoa na qual vive, e a melhor maneira que se manifesta é em sua própria forma, não de uma maneira artificial, mas na efusão natural do coração.
Observem também que a mulher não falou. Há algo muito belo no silêncio de ouro da mulher, que era mais rico do que teria sido seu discurso de prata. Mas o homem não estava calado; ele falou; ele falou e suas palavras foram excelentes. Aventuro-me a dizer que o silêncio da mulher falou tão poderosamente como a voz do homem. Dos dois, penso que encontro mais eloquência nas lágrimas que aspergiam e nas tranças soltas que secavam os pés do Salvador do que no grito, “Filho de Davi, tem misericórdia de mim.” Sem dúvida, ambas as formas de expressão eram igualmente boas, melhor o silêncio da mulher com suas lágrimas, e a eloquência do homem com sua confiança plena em Cristo.
Não pense que é necessário, querido amigo, para você servir, que você faça o trabalho de outras pessoas. A atividade que sua própria mão encontre, essa atividade faça com todo o seu poder. Se você pensa que não pode jamais honrar a Cristo até que entre num púlpito, pode ser o caso que vai honrar mais descendo do púlpito o mais rapidamente possível. Tem havido pessoas muito bem qualificadas para adornar a religião de Cristo com uma prancha de sapateiro em seu colo, que pensaram que era necessário subir no púlpito, e nessa posição foram um estorvo para Cristo e Seu Evangelho.
Irmã, há um lugar para você; mantenha-se nele, não permita que nada a tire dele; mas não pense que não há nada mais que fazer exceto o trabalho que alguma outra mulher faz. Deus a chamou a ele, deixe que ela siga a voz de Deus: Ele chama você em outra direção, segue ali Sua voz. Então, será muito semelhante a essa excelente mulher, quanto mais diferente dela seja: quero dizer, será verdadeiramente mais obediente a Cristo, como ela é, se prosseguir num caminho muito diferente.
Também havia outra diferença nisso. A mulher deu, ela trouxe seu unguento. O homem fez o contrário, mendigou. Existem várias maneiras de mostrar amor a Cristo, que são igualmente demonstrações excelentes de fé. Dar-lhe seu unguento, e dar-lhe suas lágrimas, e dar-lhe o serviço de seu cabelo, estava muito bem; mostrava sua fé, que agia por amor: não dar nada, pois o mendigo não tinha nada para dar, mas simplesmente honrar a Cristo ao apelar Sua riqueza e Seu poder real, era o melhor nesse mendigo. Não posso exaltar a um mais que ao outro, pois não duvido que ambos, a mulher penitente e o mendigo, deram a Cristo todo seu coração, e que mais pede Jesus de alguém?
Também os pensamentos da mulher e os pensamentos do mendigo eram diferentes. Os pensamentos dela eram principalmente acerca do passado, e de seus pecados, por isso suas lágrimas. Ser perdoada, esse era seu ponto. Os pensamentos do homem eram principalmente sobre seu presente, não tanto em relação a seus pecados, mas em sua deficiência, a sua enfermidade, à sua incapacidade, e assim ele veio com pensamentos diferentes. Não duvido que ele tenha pensado no pecado, como também me atrevo a dizer que pensava em sua enfermidade; mas no caso dela o pensamento do pecado era proeminente, e por isso suas lágrimas; no caso dele, a enfermidade era o proeminente, e por isso sua oração, “Senhor, que eu veja.”
Então, não compare sua experiência com a de alguém mais. Deus é um Deus de uma variedade maravilhosa. O pintor que se repete a si mesmo em muitos quadros tem uma pobreza de concepção, mas o artista que é mestre raramente faz um esboço de uma mesma coisa uma segunda vez. Existe uma variedade ilimitada na genialidade, e Deus que transcende toda a genialidade dos homens, cria uma variedade infinita as obras de Sua graça.
Portanto, não busquem semelhanças em todas as partes. A mulher amou muito, e ela manifestou seu amor mediante seus atos; mas o homem também amou muito, e manifestou seu amor mediante ações que eram extremamente admiráveis, pois seguiu Jesus pelo caminho, glorificando a Deus. Sem dúvida, eram ações diferentes. Não encontro que ele tenha trazido uma caixa com unguento, ou que tenha ungido os pés de Cristo, nem tampouco encontro que ela tenha seguido literalmente a Cristo pelo caminho, embora sem nenhuma dúvida ela o seguiu em espírito; tampouco ela glorificou a Deus em voz alta como o fez o cego mendigo restaurado.
Há diferenças de operação, mas um mesmo Senhor; há diferenças de capacidade e diferenças de chamados, e mediante esta reflexão eu espero que vocês sejam capacitados para libertar-se da falha de julgar a um mediante os padrões de outro, e possam buscar a mesma fé, mas não seu mesmo desenvolvimento.
Este tema é tão interessante que eu quero que me sigam enquanto esboço rapidamente o caso da mulher e a continuação do homem, sem mencionar cada uma das diferenças, mas permitindo que os dois quadros gravem-se separadamente em suas mentes.
Observem esta mulher. Que estranho composto era ela. Ela estava consciente de ser indigna, e por isso chorou, e apesar disso se aproximou de Jesus. Seus atos foram de proximidade e comunhão; ela lavou Seus pés com lágrimas, secou-os com os cabelos e durante todo esse tempo os beijava uma e outra vez. “Mas esta, desde que entrei, não cessou de beijar meus pés,” disse Cristo. Um sentido de indignidade, e o gozo da comunhão, estavam misturados. Oh, fé divina, que funde a ambos! Ela estava muito envergonhada, e sem dúvida foi muito audaciosa. Todavia não se atrevia a olhar para o rosto do Senhor; aproximou-se Dele por trás; e sem dúvida se atreveu a enfrentar Simão, e a permanecer na sua habitação, mesmo que ele a olhasse com maus olhos ou não. É sabido que alguns coram ante a face de Cristo que não se corariam ante um juiz, nem na fogueira se fossem arrastados ali por causa de Cristo. Uma mulher assim era Anne Askew, humilde ante seu Senhor, mas como uma leoa ante os inimigos de Deus.
A mulher penitente chorou, ela se lamentava, mas tinha um gozo profundo; eu sei que o tinha, pois cada beijo significava gozo. Cada vez que ela levantava esse pé bendito, e o beijava, seu coração saltava em arrebatamento de amor. Seu coração conhecia a amargura pelo pecado, mas também conhecia a doçura do perdão. Que combinação! A fé fez a composição. Ela era humilde, não havia ninguém mais humilde; sem dúvida, vejam como ela toma para si tratar com o próprio Rei.
Irmão, vocês e eu estaríamos satisfeitos, e bem podemos estar, se pudéssemos lavar os pés dos santos, mas ela não. Oh, o valor desta mulher! Ela atravessou o pátio exterior, e foi direto ao trono do Rei, para render ali sua homenagem, em sua própria pessoa para Sua pessoa, e lavar os pés do Admirável, o Conselheiro, Deus forte.
Eu não sei se algum anjo tenha jamais desempenhado tal trabalho e serviço, portanto esta mulher tem proeminência ao ter feito por Jesus o que nenhum outro ser jamais fez. É dito que ela estava calada, e sem dúvida falou; acrescentarei que foi desprezada, mas Cristo a colocou em elevada honra, e fez que Simão, que a desprezava, se sentisse pequeno na presença dela.
Vou acrescentar também que ela era uma grande pecadora, mas era uma grande santa. Sua condição de grande pecadora, quando foram perdoados seus pecados, converteu-se na matéria-prima da qual saem os grandes santos pela força poderosa de Deus. Finalmente ela foi salva pela fé, isso nos disse o texto, mas se alguma vez houve um caso em que Tiago não pode ter dito: “Poderá a fé salvá-lo?”, e em que devia ter dito, “Aqui está uma que mostra sua fé por suas obras,” era o caso desta mulher. Ali está frente a ti. Imita sua fé, embora não possas na verdade copiar suas obras.
Agora observem o homem. Ele era cego, mas podia ver muito mais que os fariseus, que diziam que podiam ver. Cego, mas sua visão interna viu o Rei em sua beleza, viu o esplendor de Seu trono, e o confessou. Era um mendigo, mas tinha uma alma real, e uma forte determinação soberana que não podia ser reprimida. Tinha o tipo de mente que habita em homens que são príncipes entre seus companheiros. Ele não ia ser detido por discípulos, não, nem por apóstolos. Ele começou a orar, e vai orar até obter a bênção que busca.
Notem bem que o que sabia era o que proclamava, o que desejava era o que pedia, e entendia o que necessitava. “Senhor, que eu veja;” ele estava claro acerca de suas necessidades, e claro acerca da única pessoa que podia supri-las. Ele esperava o que pedia, pois quando se lhe ordenou que se aproximasse, ele evidentemente esperava que sua vista fosse restaurada, pois outro evangelista nos narra que jogou sua capa de mendigo. Sentiu que nunca necessitaria mendigar de novo. Estava seguro que seus olhos estavam a ponto de se abrir.
Finalmente, estava muito agradecido pelo que recebeu, pois tão logo pode caminhar sem um guia, tomou a Cristo como seu guia, e o seguiu pelo caminho, glorificando-o. Vejam ambos os quadros. Espero que percebam as sombras e as luzes de ambos, até que os incline a converter-se em uma pintura diferente e clara feita pelo mesmo artista, cuja mão unicamente pode produzir tais maravilhas.
III. O QUE ISSO NOS ENSINA COM REFERÊNCIA À FÉ? Primeiro, ensina-nos que a fé tem a máxima importância. Rogo-lhes, meus leitores, que verifiquem se vocês tenham a preciosa fé, a fé dos eleitos de Deus. Recordem que na Escritura não há muitas coisas que sejam chamadas preciosas, mas entre elas está o sangue precioso, e com ele a fé preciosa. Se vocês não têm isso, estão perdidos; se não têm isso, não são aptos para viver nem aptos para morrer; se não têm isso, o eterno destino de vocês será desespero infinito; mas se vocês têm fé, mesmo que seja como um grão de semente de mostarda, vocês são salvos. “Tu fé te salvou.”
Também aprendam que a principal matéria na fé é a pessoa a quem creem. Não digo a pessoa em quem creem. Isso seria verdadeiro, mas não uma expressão muito escritural. Paulo não disse, segundo cita a maioria das pessoas, “eu sei em quem tenho crido.” A fé crê em Cristo. A fé de vocês deve reconhecê-Lo como uma pessoa, e vir a Ele como pessoa, e não descansar simplesmente em Seu ensinamento, ou unicamente em Sua obra, mas Nele. “Vinde a mim todos os que estais cansados e sobrecarregados e eu vos aliviarei.”
Um Salvador pessoal para os pecadores! Vocês estão confiando Nele unicamente? Creem Nele? Vocês sabem que a segurança do edifício depende principalmente dos alicerces, e se os alicerces não são adequados, podem construir como quiserem, mas o prédio não durará. Então, vocês constroem sobre Cristo unicamente? Investiguem isso como um ponto especial.
Em seguida, observem que não devemos esperar exatamente a mesma manifestação em cada convertido. Que não a esperem os ancião da igreja, que os pais não a requeiram de seus filhos; que não a busquem os ansiosos amigos; vocês mesmos não a esperem. As biografias são muito úteis, mas se podem converter em uma armadilha. Não devo julgar que não sou um filho de Deus porque não sou precisamente como o bom homem sobre cuja vida acabei de ler.
Estou descansando em Cristo? Creio Nele? Então, pode ser que a graça do Senhor esteja preparando um caminho muito diferente para mim do caminho em que meu irmão tem caminhado, que possa ilustrar outras fases de Seu poder, e ensinar aos principados e às potestades as riquezas superabundantes do amor divino.
Finalmente, o assunto que resume tudo é este, se tivermos fé em Jesus somos salvos, e não devemos falar nem agir como se tivesse alguma dúvida a respeito. “TUA FÉ TE SALVOU.” Jesus o disse. Concedido, você tem fé em Cristo, e é certo que a fé o salvou. Portanto, não ande por aí falando e agindo e sentindo como se não fosse salvo.
Conheço um grupo de gente salva que diz a cada domingo, “Senhor, tem misericórdia de nós, miseráveis pecadores“; mas eles não são miseráveis pecadores se são salvos, e que eles utilizem tais palavras é jogar um menosprezo sobre a salvação que Cristo lhes deu. Se eles são pecadores salvos, então deveriam ser santos plenos de gozo. O que uns dizem, outros não o dizem, mas agem como se assim fosse. Andam por aí pedindo a Deus que lhes dê a misericórdia que já obtiveram, esperando receber um dia o que Cristo lhes assegura que já está em sua posse, falando a outros como se fosse um assunto seu se são salvos ou não, quando não pode haver nenhuma dúvida.
“Tua fé te salvou.” Imagine a pobre mulher penitente voltando-se e dizendo ao Salvador, “Senhor, eu humildemente espero que seja verdade.” Não existiria nem humildade nem fé numa expressão dessa natureza. Imagine o cego, quando Cristo lhe disse: “tua fé te salvou,” respondendo: “eu confio que nos anos vindouros se comprove que é assim.” Seria contradizer de maneira simultânea seu caráter sincero e a honestidade da pregação de Cristo. Se você creu, você está salvo. Não fale como se não fosse, mas agora pegue dos salgueiros sua harpa e entoe um cântico novo ao Senhor.
Tenho observado em muitas orações uma tendência a fazer rodeios como se os feitos não fossem feitos. Tenho ouvido este tipo de expressões, “Grandes coisas fez Jehová por nós; por isso nós desejamos estar alegres.” O texto diz, “Grandes coisas fez Jehová por nós; estaremos alegres.” e se o Senhor fez essas grandes coisas por nós, nosso direito é estar alegres por elas, não responder com um infame “se” com nossos lábios ante o Senhor que não pode mentir.
Se vocês têm tratos e acordos com outras pessoas, podem ter suspeitas delas, pois em geral o merecem; se escutam suas promessas, podem duvidar delas, pois suas promessas vão ser quebradas; mas se estão tratando com seu Deus e Senhor, nunca suspeitem Dele, pois Ele está além de toda suspeita; nunca duvidem de Suas promessas, pois o céu e a terra passarão, mas nem um jota nem um til de Sua palavra falhará.
Eu reclamo para Cristo que vocês joguem para sempre toda fala que esteja cheia de “mas” e “se” e “talvez” e “eu espero” e “eu confio.” Vocês estão na presença de Um que disse “Em verdade, em verdade,” e quis dizer o que disse, e que é “o Amém, o testemunho fiel e verdadeiro.“
Vocês não lhe cuspiriam no rosto se Ele estivesse aqui, sem duvida seus “se” e seus “mas” são um insulto parecido, jogado sobre Sua verdade. Vocês não o flagelariam, mas que fazem suas dúvidas senão aborrecê-Lo e pô-Lo em vergonha? Se Ele mente, não creiam Nele nunca; se Ele disse a verdade, nunca duvidem Dele. Então, saberão, quando deixarem de lado sua malvada incredulidade, que sua fé os salvou, e poderão ir em paz.
ORE PARA QUE O ESPIRITO SANTO USE ESSE SERMÃO PARA TRAZER UM CONHECIMENTO SALVIFÍCO DE JESUS CRISTO E PARA EDIFICAÇÃO DA IGREJA
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