segunda-feira, 29 de agosto de 2011

PREGAÇÃO DO DIA DO SENHOR


Autor:Pr. Kenneth Wieske
Leitor de Sermão: Pb. Clécio Nunes.
Domingo, 28 de Agosto de 2011.

Texto Romanos 1. 16-17





Introdução

Amada congregação do nosso Senhor Jesus Cristo, Estamos vivendo nestes dias uma crise de pregação. No Brasil, e no mundo inteiro, a pura pregação da Palavra de Deus é cada vez menos valorizada. Procure nas igrejas, e você vai achar muitos cultos de prosperidade, cultos de cura, cultos para se falar em línguas, mas poucos cultos onde se vê uma verdadeira pregação. E mesmo nas igrejas onde ainda existe pregação, muitas vezes não é na verdade uma pregação da Palavra de Deus... Mas uma palestra educada e intelectual sobre auto-ajuda ou auto-estima, ou orientações de como se conseguir sucesso nesta vida.

Em lugar de se pregar que Deus é que é bom, eles pregam como o ouvinte é bom, e como pode crescer em sua bondade natural, através da prática das boas obras ou de dar muito dinheiro à Igreja. Em lugar de pregar as doutrinas da Palavra, eles pregam as experiências do homem.


Sabe por que estamos vivendo esta crise de pregação? Porque a natureza humana nunca muda. O coração do homem sempre gosta mais do que é impressionante, do espetacular e emocionante em lugar da simples verdade da Palavra de Deus. Por isso as falsas igrejas têm tanto sucesso enganando pessoas com gritos, vendas de sabonete abençoado, regrinhas humanas e cultos que parecem mais um teatro do que um culto ao Deus santíssimo.

O coração do homem sempre gosta mais da sabedoria deste mundo do que a "loucura de Deus". Por isso, igrejas mundanas têm tanto sucesso com pregações que parecem mais uma palestra na Universidade em lugar da proclamação da cruz de Cristo.






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As falsas igrejas não suportam a pregação da Palavra de Deus, a pregação das doutrinas da graça. Acham que é algo chato, sem praticidade; e o mundo acha algo estúpido e burro, sem lógica.

Irmãos, nada mudou em 2000 anos. Na época, quando Paulo escreveu esta carta aos Romanos, a situação era a mesma! Mas qual foi a resposta de Paulo, e que deve ser a de todo verdadeiro filho de Deus? "Pois não me envergonho do evangelho, porque é o poder de Deus para a salvação".


Esta afirmação é tão importante, que Paulo vai escrever uma epístola toda sobre isto. Nosso texto é o tema principal da carta aos Romanos. "O evangelho do Cristo é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê".

1. Cristo: o poder da pregação
2. Cristo: a revelação da justiça
3. Cristo: o objeto da fé

1) Cristo: o poder da pregação.


"Não me envergonho do evangelho...", disse Paulo. Por que ele fala de forma tão negativa? Porque Paulo tinha muitos motivos que o deixariam envergonhado de pregar o evangelho em Roma.

Roma era o centro do império Romano. Era o centro do poder. Lá havia muitas pessoas importantes, senadores, delegados, generais do exército, homens poderosos. Quem teria coragem para declarar àqueles homens que eles eram escravos do pecado, e que tinham que se curvar diante de um Senhor que foi um pobre judeu do interior e que morreu como um criminoso pendurado em uma cruz?

Roma era o centro da sabedoria humana da época. Os melhores mestres gregos ensinavam a sabedoria grega aos filhos dos ricos. Quem teria coragem de proclamar um Salvador que ressuscitou da morte, quando a educação e ciência Gregas deixava muito claro que isto era impossível e não aceitável e até ridículo?






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Roma era cheia de judeus que estavam esperando um Messias que viria para vencer os Romanos e estabelecer o reino glorioso da casa de Davi em Jerusalém. Quem teria coragem para pregar-lhes que o Messias, de fato, morreu numa cruz - uma morte maldita e que o seu reino não era desta terra? Quem teria coragem para ensinar-lhes que todas as boas obras, das quais eles ficavam tão orgulhosos, não valiam nada diante de Deus e não os faria de modo algum ganhar a salvação e a justiça?

Quem teria coragem? Paulo diz que tem esta coragem e explica porque: "Pois não me envergonho do evangelho, porque é o poder de Deus para a salvação". Paulo tem dois motivos para não se envergonhar do Evangelho:

1. Sou chamado para ser apóstolo e separado para o evangelho de Deus. Em Gálatas 1 ele diz, "Deus me separou antes de eu nascer e me chamou pela sua graça, aprouve revelar seu Filho em mim, para que eu o pregasse entre os gentios....".

Ele foi chamado para pregar! Não para divertir a congregação, não para vender sabonete abençoado, não para incitar as emoções do povo, não para enganar pessoas com curas falsas, não para dar palestras intelectuais... mas para pregar o evangelho. E por causa deste chamado, Paulo precisa pregar o evangelho. É como um fogo ardendo dentro dele. Em 1 Cor 9:16, lemos: "Se anuncio o evangelho, não tenho de que me gloriar, pois sobre mim pesa essa obrigação; porque ai de mim se não pregar o evangelho."

Sabe por que falta a pura pregação da palavra de Deus nestes dias? Porque faltam homens que tenham o verdadeiro chamado de Deus para pregar. Aqueles que se dizem pregadores não tem experimentado o chamado de Deus e têm vergonha do evangelho
.

2. O evangelho é o evangelho de Cristo! (v.v. 1-3) "Paulo, servo de Jesus Cristo, chamado para ser apóstolo, separado para o evangelho de Deus... (v. 3) ...com respeito a seu Filho!". (v. 9) "Eu sirvo Deus em meu espírito, no evangelho de seu Filho!". O evangelho é o poder de Deus para a salvação, porque é o evangelho de Cristo e este crucificado! 1 Cor 1:18 "Certamente, a palavra da cruz é loucura para os que se perdem, mas para nós, que somos salvos, poder de Deus!" ...1 Cor 1:23 "Porque tanto os judeus pedem sinais, como os gregos buscam sabedoria, mas nós pregamos a Cristo crucificado, escândalo para os judeus, loucura para os gentios; mas para os que foram chamados, ....pregamos Cristo, poder de Deus e sabedoria de Deus".

Tire o Cristo do evangelho, e você não tem mais uma boa notícia, uma boa nova. Tire o Cristo da pregação, e você tem uma pregação que até pode ter forma de piedade, negando-lhe, entretanto, o poder.



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O fato triste em nossos dias, irmãos, é que muitos não entendem o poder da Palavra de Deus. Eles buscam manifestações poderosas do Espírito: buscam demonstrações de poder no falar em línguas, no realizar curas. Mas ficam cegos, sem condições de ver e entender o poder da Palavra de Deus. O próprio Deus fala em Jeremias 23:29: "Não é minha palavra fogo, diz O Senhor, e martelo que esmiúça a penha?"

Aí está a manifestação do poder do Espírito Santo. Através da pregação da Palavra de Deus, Ele quebra o coração do pecador, o coração duro, de pedra, e coloca um coração de carne. Isto é um verdadeiro milagre! Isto é verdadeiro poder! Mudar um pecador morto e fazer dele um filho de Deus; um filho vivo, alegre e salvo!

Note bem: nosso texto diz que o Evangelho ..."é o poder de Deus para a salvação”. Nestes dias temos todo tipo de evangelho: evangelho da prosperidade e da saúde, evangelho do sucesso, evangelho da auto-estima. Os pregadores vendem todo tipo de mensagem com todo tipo de promessa, mas uma mensagem sem Cristo; este falso evangelho não tem o poder de Deus para a salvação! Eles não podem salvar! Só o evangelho de Cristo e este crucificado nos apresenta a livre oferta da salvação do pecado e da morte.

Paulo coloca o dedo exatamente na ferida, no assunto maior: ele aponta nossa grande carência! Não precisamos em primeiro lugar de riqueza, de sucesso, de mais auto-estima, de curas, de falar em línguas.... PRECISAMOS DE PERDÃO E REMISSÃO DOS NOSSOS PECADOS! Precisamos ser salvos da ira de Deus por causa de nossos pecados. E só existe um poder que poder fazer esta milagre: Cristo, o poder de Deus.

O Senhor, em sua soberania, escolheu usar a loucura da pregação, para fazer o maior milagre no universo: um miserável pecador, que por natureza odeia a Deus e se inclina a toda maldade, é salvo da morte eterna, é declarado completamente justo, e é agora chamado filho ou filha de Deus!

É pelo PODER do Evangelho que Deus chama pecadores das trevas para a maravilhosa luz em Cristo. É pelo poder do Evangelho que o Espírito Santo trabalha a verdadeira fé no coração. Você entende a importância da pura pregação da palavra de Deus? Paulo não disse à Igreja de Roma: "Estou ansioso para chegar em vosso meio e fazer muitas curas; para vos estimular a falar em línguas; para ensaiar com o coral alguns corinhos novos". Mas disse: Estou ansioso por pregar o evangelho de Cristo, "porque isto é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê".





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2. Cristo: a revelação da justiça


Como? Temos de perguntar: Como o evangelho é o poder de Deus para a salvação? A pregação do evangelho é o poder de Deus para a salvação porque o evangelho nos revela a justiça de Deus (v.17). O que é justiça? É um estado de não culpado. É a única forma para um homem poder viver em comunhão com Deus. Ele tem que ser justo. Como? Esta é nossa maior necessidade! Ninguém pode viver com Deus se ele não é perfeitamente justo. Se nós queremos a salvação, se nós queremos a vida eterna com Deus, precisamos ser justos! Aqui está a coisa mais extraordinária do evangelho: O evangelho nos revela que Deus é santíssimo, e perfeitamente justo; que o homem é miserável pecador, e completamente injusto. (Rom 3:10 "Não há justo, nem um sequer... todos se extraviaram...")

Mas o Evangelho proclama algo maravilhoso: "Há uma justiça! A justiça de Deus, que Ele quer te dar de graça!" Notem bem que esta justiça é revelada. Significa que ninguém pode buscar ou descobrir ou conseguir esta justiça com seu próprio esforço. Não existe possibilidade para o pecador subir aos céus, ou descer ao abismo, para achar o seu próprio jeito para conseguir a justiça. Esta justiça é revelada! É pela graça! O Deus que é rico em misericórdia revela no seu evangelho que existe uma justiça, que ele vai dar de graça para todos aqueles que crêem.

 2 Cor 5:21 - "Aquele que não conheceu pecado, ele o fez pecado por nós; para que, nele, fôssemos feitos justiça de Deus". O evangelho revela Cristo, nossa justiça! Todos aqueles que crêem no Filho, receberão a sua justiça! Todos aqueles que têm união com Cristo, pela fé, são declarados justos. São vistos como se nunca tivessem pecado durante suas vidas. Ele os vê, vestidos com as roupas brancas da justiça de Cristo.


Aí temos o poder do evangelho! Deus nos revela Cristo e sua justiça. Ele nos chama: "Crê em meu Filho Amado, e toda a justiça que Ele tem, eu vou te dar como um presente!"
.

Imagine um homem riquíssimo, e uma mulher paupérrima, com um monte de dívidas pesadas. Eles se casam. Eles são unidos em um só corpo! Então, duas coisas acontecem: Primeiro, o marido paga todas as dívidas da sua mulher. Resolve tudo. Segundo, toda a riqueza do marido, é agora também propriedade da mulher.



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Isto é uma ilustração fraca do que Deus faz quando ele nos justifica. O pecador que se arrepende, e crê em Jesus Cristo, ele é unido com Cristo. E duas coisas acontecem:

Primeiro, o sangue de Jesus cobre todos os seus pecados, lava e purifica completamente.

 Segundo, toda a justiça de Cristo, o Cristo que cumpriu perfeitamente a lei é a vontade de Deus, com toda esta justiça que é dele agora é também propriedade do crente. Por isso, o evangelho é o poder de Deus para a salvação,

Porque nele Deus revela a justiça de Cristo, nossa justiça, santificação, e redenção. Dessa forma, uma pregação que não prega o Cristo, não é o poder de Deus para a salvação. O que estamos ouvindo hoje, como pregação, nas igrejas?


.3º Cristo: o objeto da fé


Como podemos nos apropriar desta justiça de Cristo? Irmãos, o texto deixa bem claro que só existe um jeito para recebermos a justiça de Deus: Pela fé. "todo aquele que crê.... de fé, em fé... o justo viverá por fé". Quatro vezes o texto fala sobre fé. A justiça de Cristo não é imputada a ninguém sem que não seja pela fé somente!


Existem muitos neste mundo (e às vezes na igreja) que pensam que basta ser membro de uma Igreja; que basta ter o nome no rol de membros. Existem outros que pensam, "Sou bom. Nunca matei ninguém. Nunca roubei um banco. Tento ajudar meu próximo. Deus vai me aceitar. Não sou tão mal assim!".

Irmãos, a Bíblia deixa bem claro que somente pela fé você pode receber a salvação em Cristo! Somente pela fé você pode compartilhar da Sua justiça! Somente pela fé você pode ter união com Cristo e ter certeza da vida eterna com Deus. "de fé em fé".... significa que do início até o fim, precisamos de fé. "Fé"... uma pequena palavra de duas letras, mas faz a diferença entre a vida e a morte. "O justo viverá por fé" Se você não tem a verdadeira fé em Jesus Cristo, Deus te chama hoje; hoje é o dia do arrependimento, o dia da salvação. Creia em Jesus Cristo; coloque toda sua confiança nEle. "Porque todo aquele que nele crê não será confundido" (Rom 10:11).




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Procure a verdadeira pregação da palavra de Deus! É questão da vida ou morte! Só a pregação do evangelho revela a justiça de Deus. E a mesma palavra que revela a justiça de Deus, é a mesma palavra que o Espírito Santo usa para trabalhar o dom da fé no coração do pecador.


O que Paulo fala sobre o povo de Israel é tão verdadeiro como também na maioria das igrejas em nossos dias: Romanos 10:2 - "Porque lhes dou testemunho de que eles têm zelo por Deus, porém não com entendimento. Porquanto, desconhecendo a justiça de Deus e procurando estabelecer a sua própria, não se sujeitaram à que vem de Deus. Porque o fim da lei é Cristo, para justiça de todo aquele que crê".


Abaixo os falso pregadores que ensinam a salvação pelas obras, que tentam estabelecer a sua própria justiça! Abaixo as igrejas que ensinam as regras humanas, e não a graça de Deus em Cristo! Por amor da sua vida eterna, fujam destes lugares onde não há a verdadeira pregação de Cristo.

Vamos valorizar verdadeira pregação de Cristo. a pregação da palavra de Deus. Não podemos nos dar o luxo de faltar os cultos no domingo. Ali Deus está revelando a justiça de Cristo! Está dando e fortificando a verdadeira fé mediante o Evangelho
.

Romanos 10:12 - "Pois não há distinção entre judeu e grego..."; não há distinção entre um escravo da Igreja Romana, ou das igrejas que se dizem evangélicas, e um escravo de uma igreja mundana onde a intelectualidade vale mais do que O evangelho de Cristo! "Uma vez que o mesmo é o Senhor de todos, rico para com todos os que o invocam
".

Porque: todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo. Como, porém, invocarão aquele em quem não creram? E como crerão naquele de quem nada ouviram? E como ouvirão se não há quem pregue? E como pregarão se não forem enviados? “Como está escrito, ‘Quão formosos são os pés dos que anunciam cousas boas’”.

Agora, você entende por que Paulo era tão ansioso para pregar este evangelho? Então vamos confessar junto com o apóstolo Paulo:

"Não me envergonho do evangelho de Cristo.... escândalo para os judeus, loucura para os gentios, mas para os que foram chamados, o poder de Deus para a salvação
".


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quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Sermão pregado no dia 07/08/2011 na Congregação

Dia do Senhor 5 - Rev. Alexandrino Moura Imprimir E-mail
Domingo 07 de Agosto de 2011
Leitura: Ezequiel 18.1-20.                         Pr. Alexandrino
Texto: Domingo 5.                                    
Leitor de sermão:                                     Pb. Clécio Nunes

Amados irmãos no Senhor Jesus Cristo.

Na semana passada nós vimos como o homem se comportou diante de Deus. Ele foi acusado de não conseguir cumprir a lei. Mas, ele tentou escapar da pena e jogou a culpa em Deus. Ele disse que era injusto o que Deus estava exigindo do homem. Já que o homem não consegue cumprir sua lei, então, cobrar dele o que não pode cumprir é injusto. Cobrar um peso que o homem não pode carregar. No entanto, o catecismo refutou o argumento do homem apontando para o paraíso dizendo: Deus criou o homem de tal maneira que este pudesse cumprir a lei. Deus proveu tudo o que o homem precisava para satisfazer a sua exigência. Ele capacitou o homem com dons que o ajudaria em sua caminhada de obediência aqui na terra. Seria e era fácil para o homem cumprir a sua vontade. Não havia dificuldade. Porém, o próprio homem jogou fora àqueles dons que o capacitava a cumprir as exigências de Deus. Ele não obedeceu a Deus. Não quis ouvir a sua voz. Preferiu ouvir a voz do inimigo declarado de Deus: o diabo. O diabo distorceu as palavras e ele deu ouvido. O resultado foi o pecado no mundo e na sua natureza. O catecismo mostrou que a culpa é dele próprio e o homem pecador entendeu. Ele entendeu que estar em uma posição desfavorável perante Deus e que precisa arrumar o que errou.
O homem convencido do seu pecado. Convencido de seu errou e com o orgulho arrasado. Ele reconhece o ensino da primeira parte do catecismo e diz na segunda parte: “Então, conforme o justo julgamento de Deus, merecemos castigo nesta vida e na futura”. Ele sabe que merece a morte eterna. Mas, ele não quer ficar parado. Ele quer se reconciliar com Deus. Quer fazer as pazes. Por isso, ele chega agora como humildade perguntando o que precisa fazer. A pergunta dele é: Como podemos escapar desse castigo e, de novo, ser aceitos por Deus em graça?
Isto nos leva ao tema desta manhã.
Tema: O Homem Precisa Se Reconciliar Com Deus.
1. Satisfazendo a Justiça de Deus.
2. A Necessidade de Um Mediador.
1. Satisfazendo a Justiça de Deus.

Irmãos, quando vamos confessar nossa salvação, não podemos omitir nenhuma parte da nossa miséria. Devemos reconhecer que estamos cheios de pecados. A nossa carne está contaminada com o pecado. Esse mal nos contamina totalmente. Porque nós merecemos o castigo de Deus, não apenas nesta vida, mas na futura também. Então, a primeira pergunta do domingo 5 faz bastante sentido. A pergunta é: “Como podemos escapar desse castigo e, de novo, ser aceitos por Deus em graça?”. O homem está em guerra contra Deus. O homem após a queda não mais é amigo de Deus. Ele agora é considerado inimigo de Deus. Porque não há comunhão entre Deus e o pecador. Porque o próprio homem e o pecado não podem ser separados.
O castigo que o catecismo fala é a falta de obediência a Deus por parte do homem. Ele quebrou a ordem de Deus e por isso deve ser castigado por não viver conforme os patrões de Deus. O homem precisa entrar em comunhão novamente com Deus. O catecismo diz o que o homem deve fazer para ser aceito por Deus novamente em graça. A reposta é esta: “Deus quer que sua justiça seja cumprida”. Essa é a exigência de Deus. Em Êxodo 23.7 diz que Deus não inocenta o culpado. Ele cumpre a sua justiça sobre o pecador. A sua lei foi quebrada pelo homem e por causa disso, sua justiça quer castiga-lo. O homem tem que ser obediente à vontade de Deus. Tem que cumprir aquilo que está sendo infiel em cumprir. Deve obedecer prontamente o que Deus exige.
Antes que aconteça a reconciliação com Deus, deverá ocorrer a satisfação de Deus. Deus quer que sua justiça seja satisfeita. E o catecismo diz: “Por isso, nós mesmos devemos satisfazer essa justiça”. Não é DEVERÍAMOS, mas é DEVEMOS satisfazer essa justiça. Não é uma possibilidade para cumprir como deveríamos e agora não devemos mais. Ao contrário, nós devemos pagar a justiça para Deus ficar satisfeito conosco. A palavra PAGAR diz exatamente o que deve acontecer. Porque em um pagamento deve ser colocado na mesa exatamente o que foi exigido. Pagamento não fornece direito a ninguém, mas pagamento é um dever de quem estar devendo. É uma obrigação que deve ser quitada.
Já no paraíso o homem deveria pagar, satisfazer as exigências da lei. Este pagamento inclui: cumprir totalmente a lei. Nesse cumprimento da exigência da lei podemos destacar a obediência ativa e a passiva. A obediência ativa tem haver com o nosso comportamento. Nós devemos ser obedientes e se esforça para cumprir a lei prontamente. A obediência passiva é a obediência em que devemos nos submeter ao castigo de Deus. Se pecamos, vamos receber a punição e devemos nos colocar debaixo desse castigo.
Deus espera este pagamento vir do próprio homem. Desde o inicio Deus espera isto. Quando Adão foi criado Deus já esperava este pagamento. Ele satisfazia a justiça e assim pagava as exigências exigida. Depois da queda ele não pôde mais pagar por causa de sua transgressão e pecado na natureza humana. Mas, nós mesmos podemos satisfazer essa justiça? De maneira alguma. Pelo contrário, aumentamos a cada dia a nossa dívida com Deus. A cada dia a nossa dívida aumenta. Nós pecamos a cada dia e esses crimes são contra a lei de Deus. O homem já inventou tanta coisa para satisfazer a vontade de Deus. Mas o que ele inventou, só faz a culpa a cada dia piorar, pois o homem é obrigado a um pagamento diário total. Cumprir totalmente a lei. Isto, porém, não faz e não consegue fazer. Assim essa dívida aumenta a cada dia. Como diz Mateus 16.26: “Que dará o homem em troca de sua alma?”. O homem está incapaz de cumprir a lei de Deus. Ele não consegue nem se quer cumprir uma parte da exigência.
Mas, será que uma criatura, sendo apenas criatura, pode pagar por nós? O catecismo diz que: “Nós mesmos devemos satisfazer essa justiça ou um outro por nós”. Quer dizer que uma criatura pode pagar por nós? A resposta é não. Quando o catecismo fala de um outro, está falando de um outro homem e não de um animal, ou anjo, ou santo. Porque o que Deus quer castigar é o próprio homem por ter transgredido a sua lei e não um animal, ou anjo, por causa da dívida do homem. Como em Ezequiel 18.4 diz: “a alma que pecar, essa morrerá”. O texto fala de responsabilidade diante de Deus. Quem cometer um pecado deve pagar pelo crime cometido. E assim é com o homem. Ele pecou, deve pagar. E também, mesmo que se uma outra criatura pudesse pagar por nós, ela não suportaria o peso da ira de Deus. Não agüentaria tanto castigo. E assim livrar os homens do castigo de Deus.
Mas, se não conseguimos cumpri e nem uma criatura pagar a justiça de Deus, como podemos ser reconciliados com Deus?
Isso nos leva ao segundo ponto.

2. A Necessidade de Um Mediador.

Ficou evidente que o homem não consegue cumprir o que é exigido dele. Ele não consegue satisfazer a justiça de Deus como antes da queda. Ele está incapacitado pelo pecado de satisfazer a justiça de Deus. Ele precisa urgentemente satisfazer essa justiça, senão Deus derramará sua ira sobre ele. Como o profeta Naum no capítulo 1.6: “Quem pode suportar a sua indignação? E quem subsistirá diante do furor da sua ira? A sua cólera se derrama como fogo, e as rochas são por ele demolidas”. O homem não pode suportar a ira do Senhor. Ele precisa de alguém que faça o papel de mediador entre Deus e os homens. Alguém que possa interceder por ele.
O catecismo pergunta: Que tipo de Mediador e Salvador, então, devemos buscar? O que faz um mediador? Um mediador é alguém que trabalha para ligar dois ou mais partidos que ofendeu o primeiro partido. Em alguns caso existe a possibilidade que o mediador pede a ambos os partidos para conceder alguma coisa e assim conseguem a reconciliação.
Mas entre o Deus ofendido e o pecador que ofendeu não existe a possibilidade de conceder, pois: primeiro, o pecador não tem nada para conceder, ele só tem culpa; segundo, Deus não pode e nem quer deixar cair por terra sua exigência de direito. Ele não faz de conta como se não tivesse visto nada. Esse Mediador não pode ser qualquer uma criatura como: animal ou anjo. A exigência de Deus é que ele seja em primeiro lugar: um homem verdadeiro e justo. Alguém que seja igual a nós. Com a mesma carne e espírito; com a mesma fraqueza, no sentido de ser tentado, ficar doente, sofrer os males deste mundo. Como diz Hebreus 2.14,15: “Visto, pois, que os filhos têm participação comum de carne e sangue, destes também ele, igualmente, participou, para que, por sua morte, destruísse aquele que tem o poder da morte, a saber, o diabo, e livrasse todos que, pelo pavor da morte, estavam sujeitos à escravidão por toda vida”.
Porém, coma uma grande diferença. Deve ser justo. Em outras palavras: sem o pecado em sua carne. Sem o mal que separa o homem e o torna inimigo de Deus. Que faz com que não haja reconciliação entre o homem e Deus. Ele precisa ser capaz de cumprir a justiça de Deus. Precisa obter a reconciliação a vontade de Deus. Em Hebreus 4.15 diz claramente como deve ser o nosso Mediador. “Porque não temos sumo sacerdote que não possa compadecer-se de nossas fraquezas; antes, foi ele tentado em todas as coisas, à nossa semelhança, MAS SEM PECADO”. Um homem verdadeiro e justo.
Em Hebreus 7.26-27 nos ensina mais ainda sobre como deve ser aquele que devemos buscar. O texto diz: “Com efeito, nos convinha um sumo sacerdote como este, SANTO, INCULPÁVEL, SEM MÁCULA, SEPARADO DOS PECADORES E FEITO MAIS ALTO DO QUE OS CÉUS, que não tem necessidade, como os sumos sacerdotes, de oferecer todos os dias sacrifícios, primeiro, por seus próprios pecados, depois, pelos do povo; porque fez isto uma vez por todas, quando a si mesmo se ofereceu”.
No Antigo Testamento as ofertas de animais que se ofereciam a Deus, eram sem defeito. Assim deve ser o nosso Mediador: santo, inculpável, sem mácula, separado dos pecadores e feito mais alto do que os céus. Que não necessita oferecer sacrifícios pelos seus pecados, porque ele  próprio não tem pecado. Assim ele pode entrar no santo dos santos. O santuário celestial em nosso favor.
A segunda exigência era que tinha que ser também verdadeiro Deus. Não adiantava nada ser apenas homem verdadeiro e justo. Porque sendo apenas homem, não poderia suportar o peso da ira de Deus. Só sendo verdadeiro Deus é que ele pode suportar o castigo de Deus e assim nos libertar da escravidão do pecado e do poder da morte.
Assim será e é nosso fiador. Fiador é aquela pessoa que fica responsável pela dívida que não foi paga e nem o devedor consegue pagar. Assim nosso Mediador ficou em nosso lugar e pagou a nossa dívida. E ele cuida para que nós nunca mais venhamos ofender a Deus. Assim ele é de fato nosso Salvador. Devemos sempre saber que esse Mediador está sempre intercedendo por nós junto ao Pai.
Amém.